A morte de Maria Antonieta - 16 de outubro de 1793

Em 16 de outubro de 1793, às onze horas da manhã, Maria Antonieta, viúva de Luís XVI e última rainha da França, sobe na carroça que a leva ao cadafalso. Quatro meses após a execução de seu marido, a Revolução francesa sela definitivamente o destino da monarquia ao guilhotinar aquela que o povo agora chamava de "a viúva Capeto".

O julgamento de Maria Antonieta: uma paródia de justiça

Após meses de prisão na Conciergerie, Maria Antonieta comparece perante o Tribunal revolucionário nos dias 14 e 15 de outubro de 1793. A acusação, conduzida por Fouquier-Tinville, é esmagadora e frequentemente difamatória: alta traição, dilapidação das finanças públicas, conluio com o inimigo. As acusações mais graves e odiosas envolvem acusações de incesto com seu filho, o jovem Luís XVII, arrancadas sob tortura da própria criança.

Diante de seus acusadores, Maria Antonieta mantém uma dignidade notável. Quando a acusam de ter corrompido seu filho, ela lança esta resposta que ficou famosa: "Apelo a todas as mães que possam estar aqui." Essa frase provoca um momento de silêncio na sala, mas não muda o veredito já decidido de antemão.

As últimas horas de uma rainha deposta

Condenada à morte em 15 de outubro às quatro horas da manhã, Maria Antonieta passa suas últimas horas escrevendo uma carta comovente para sua cunhada, Madame Elisabeth. Nessa missiva, ela perdoa seus inimigos e expressa seu apego aos filhos que jamais verá novamente. "Morro na religião católica, apostólica e romana, na dos meus antepassados", escreve ela com resignação.

Na manhã de 16 de outubro, cortam-lhe o cabelo e amarram suas mãos nas costas. Ao contrário de Luís XVI, que teve direito a uma carruagem fechada, Maria Antonieta é levada ao cadafalso em uma simples carroça, exposta aos olhares e insultos da multidão. O pintor Jacques-Louis David imortaliza esse momento em um esboço impressionante, mostrando uma mulher envelhecida prematuramente, o rosto emagrecido, mas o olhar ainda orgulhoso.

A execução na praça da Revolução

Às doze e quinze, Maria Antonieta chega à praça da Revolução (atual praça da Concórdia), exatamente onde seu marido fora guilhotinado nove meses antes. Ela sobe ao cadafalso com coragem, pisando no pé do carrasco Sanson a quem apresenta suas desculpas: "Senhor, peço perdão, não fiz por mal." Essas palavras, relatadas pelas testemunhas, serão suas últimas.

A lâmina cai às 12h15. A multidão reunida na praça solta gritos de alegria. O carrasco ergue a cabeça da antiga rainha diante do povo. Maria Antonieta tinha 37 anos. Seu corpo, assim como o de Luís XVI, é lançado em uma vala comum no cemitério da Madeleine, em um caixão de madeira branca coberto de cal viva.

Um evento marcante da Revolução francesa

A morte de Maria Antonieta marca um ponto simbólico na Revolução francesa. Ao eliminar a última representante da monarquia capetiana, os revolucionários afirmam a irreversibilidade de seu projeto político. Esse evento se insere no período do Terror, quando as execuções se multiplicam e a Revolução devora seus próprios filhos.

O historiador Louis Blanc, em sua obra monumental História da Revolução Francesa - Tomo X, dedica muitas páginas para analisar o julgamento e a execução de Maria Antonieta. Com o rigor que o caracteriza, Blanc insere esse evento no contexto mais amplo do Terror e das lutas políticas entre os Girondinos e os Montanheses. Sua análise permite compreender como a morte da rainha se encaixa na lógica implacável de uma revolução que não tolera mais nenhum símbolo do Antigo Regime.

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